Muitas pessoas não têm ideia de que existe cerveja de guarda. Sim, você pode deixar sua cervejinha armazenada por longos períodos e abrir naquela ocasião especial! Ao contrário do que diz o senso-comum, a cerveja pode apresentar evolução sensorial benéfica e prazerosa. Mas, cuidado! Não é qualquer cerveja que pode se dar a esse luxo. Conforme dissemos em outro post, a grande maioria das cervejas ficará pior com o tempo. Logo, existem alguns requisitos a ser seguidos para se obter um bom proveito da guarda. Neste post, você saberá tudo sobre o assunto.
Maturação cervejeira
Não só vinhos e whiskeys passam por maturação quando produzidos. Na verdade, todas as bebidas alcoólicas têm um período de "dilapidação" sensorial. A cerveja, portanto, não é diferente.
Ainda na cervejaria, o mestre-cervejeiro, no último estágio de elaboração do produto, deixa que o líquido oriundo da fermentação descanse em barris ou tanques. Dessa forma, vários aspectos sensoriais da cerveja podem ser controlados a seu critério, como gosto, aroma, transparência, etc. Tal processo pode levar dias ou meses, a depender dos objetivos pretendidos.
Ademais, o cervejeiro pode incluir outras características à bebida nesta fase. Atualmente, é muito comum infundir lúpulos aromáticos na maturação: o famoso dry-hopping. Em algumas brejas, até se utilizam madeiras, sementes, especiarias e insumos nativos para aumentar a complexidade sensorial do produto.
Assim, a cerveja é uma bebida muito complexa e, desde a infância, já passa por certa evolução sensorial por meio do envelhecimento controlado. Mais que isso: muitas de suas características finais irão influenciar a escolha de uma cerveja de guarda. No entanto, antes de adentrarmos nesse tópico, precisaremos entender as variáveis que influenciam a evolução de uma cerveja depois que ela sai da fábrica.
Espaço-tempo
De acordo com a Relatividade de Einstein, tempo e espaço são interdependentes e formam uma unidade só. O mesmo vale para a evolução sensorial de uma cerveja: esta dependerá das condições de tempo e de espaço às quais for submetida; mas nós não precisamos entender física relativística para compreender isso :)
Como todos sabem, tudo neste mundo (e quiçá, no universo) sofre a ação do tempo. Continentes desaparecem, reinos são esquecidos, pessoas ilustres ou anônimas encontram seu fim; e a cerveja também. Em regra, o tempo transforma a maioria dos estilos cervejeiros num caldo doce intragável.
Como todos sabem, tudo neste mundo (e quiçá, no universo) sofre a ação do tempo. Continentes desaparecem, reinos são esquecidos, pessoas ilustres ou anônimas encontram seu fim; e a cerveja também. Em regra, o tempo transforma a maioria dos estilos cervejeiros num caldo doce intragável.
Veja bem a evolução do perfil sensorial da bebida no gráfico abaixo.
Caso desconheça a língua inglesa, facilitaremos para você: basicamente, em condições normais, a cerveja ganha dulçor e perde amargor. Também aumenta o sabor oxidado (papelão). Pode haver ganhos em outras áreas (aumento do sabor frutado), mas a regra é a perda acentuada das características iniciais e o desenvolvimento de outras nem tão agradáveis.
O frescor do lúpulo é o primeiro a desaparecer. Não só seu amargor é reduzido, mas também o aroma característico. Seus compostos podem reagir à luz (natural ou artificial) e gerar o famoso lightstruck, um odor agradabilíssimo de gambá...
A luz pode ainda turvar a cerveja, deixando-a com um aspecto de água suja. O calor também produz esse efeito, além de acentuar a oxidação e a perda da qualidade sensorial. Agitação em demasia, variações de temperatura e armazenamento na horizontal (falamos sobre isso aqui) colaboram para a decadência da sua cerveja.
Em suma: o tempo é crucial (geralmente, quanto mais jovem a cerveja, melhor para se consumir); mas muitas outras variáveis ambientais podem influenciar a forma como a breja envelhece de forma positiva ou negativa a nossos sentidos.
O que fazer, então?
O frescor do lúpulo é o primeiro a desaparecer. Não só seu amargor é reduzido, mas também o aroma característico. Seus compostos podem reagir à luz (natural ou artificial) e gerar o famoso lightstruck, um odor agradabilíssimo de gambá...
A luz pode ainda turvar a cerveja, deixando-a com um aspecto de água suja. O calor também produz esse efeito, além de acentuar a oxidação e a perda da qualidade sensorial. Agitação em demasia, variações de temperatura e armazenamento na horizontal (falamos sobre isso aqui) colaboram para a decadência da sua cerveja.
Em suma: o tempo é crucial (geralmente, quanto mais jovem a cerveja, melhor para se consumir); mas muitas outras variáveis ambientais podem influenciar a forma como a breja envelhece de forma positiva ou negativa a nossos sentidos.
O que fazer, então?
Escolha a breja certa e controle o ambiente
Inicialmente, deve-se atentar para alguns fatores intrínsecos da cerveja. Regra geral, as melhores para guarda são as de alto teor alcoólico (> 7%) e escuras. Isto porque o álcool e a torra do malte mascaram a oxidação natural da cerveja.
Ademais, outro fator importante é a refermentação na garrafa. É bom que cervejas para guarda ainda tenham leveduras atuando após o envase (vários estilos possuem essa característica). Assim, a breja tem melhor estabilidade sensorial, pois as leveduras continuam produzindo aromas característicos e o gás carbônico resultante também protege a bebida do oxigênio.
No que tange às condições ambientais, é importante observar o seguinte: não deixe sua cerveja exposta ao calor, à luz e à agitação. Procure guardá-la em temperatura controlada de 13 a 15 graus. Eu sei, é difícil obter esse equilíbrio em países como o Brasil. Logo, o ideal por aqui é armazenagem sob refrigeração (não deixe congelar!). Embora temperaturas baixas reduzam a velocidade de evolução sensorial da cerveja, esta é uma opção melhor do que perdê-la para o nosso verão amazônico!
Sempre bom repetir: armazene sua cerveja na posição vertical. Nunca guarde na horizontal (como os vinhos), pois a área de contato da bebida com o ar da garrafa, carregado de oxigênio, aumenta.
Por fim, é de se notar que a grande maioria das cervejas não se presta a ficar na guarda por mais do que 1 ano. Mesmo sob refrigeração, as características originais da cerveja se perdem e a oxidação toma conta. Claro, algumas brejas, principalmente as com refermentação, continuam evoluindo. Nunca subestime o poder dos microrganismos. No entanto, outros aspectos da cerveja que não sejam os da fermentação são perdidos depois de pouco tempo e cabe ao proprietário definir o que deseja obter com a guarda.
Feitas essas observações, percebe-se que nem todos os estilos cervejeiros podem ser objeto da guarda. Os melhores, portanto, seriam tipos como as imperial stout; as belgas fortes e escuras; e cervejas de fermentação espontânea.
Todavia, o universo cervejeiro hoje é multifacetado e os produtores estão cada vez mais ousados. Estilos são só uma referência; logo, atente para as características desejáveis e controle o ambiente de estoque. Você pode ter uma agradável surpresa ao comemorar com sua cerveja de guarda!
Ademais, outro fator importante é a refermentação na garrafa. É bom que cervejas para guarda ainda tenham leveduras atuando após o envase (vários estilos possuem essa característica). Assim, a breja tem melhor estabilidade sensorial, pois as leveduras continuam produzindo aromas característicos e o gás carbônico resultante também protege a bebida do oxigênio.
No que tange às condições ambientais, é importante observar o seguinte: não deixe sua cerveja exposta ao calor, à luz e à agitação. Procure guardá-la em temperatura controlada de 13 a 15 graus. Eu sei, é difícil obter esse equilíbrio em países como o Brasil. Logo, o ideal por aqui é armazenagem sob refrigeração (não deixe congelar!). Embora temperaturas baixas reduzam a velocidade de evolução sensorial da cerveja, esta é uma opção melhor do que perdê-la para o nosso verão amazônico!
Sempre bom repetir: armazene sua cerveja na posição vertical. Nunca guarde na horizontal (como os vinhos), pois a área de contato da bebida com o ar da garrafa, carregado de oxigênio, aumenta.
Por fim, é de se notar que a grande maioria das cervejas não se presta a ficar na guarda por mais do que 1 ano. Mesmo sob refrigeração, as características originais da cerveja se perdem e a oxidação toma conta. Claro, algumas brejas, principalmente as com refermentação, continuam evoluindo. Nunca subestime o poder dos microrganismos. No entanto, outros aspectos da cerveja que não sejam os da fermentação são perdidos depois de pouco tempo e cabe ao proprietário definir o que deseja obter com a guarda.
Feitas essas observações, percebe-se que nem todos os estilos cervejeiros podem ser objeto da guarda. Os melhores, portanto, seriam tipos como as imperial stout; as belgas fortes e escuras; e cervejas de fermentação espontânea.
Todavia, o universo cervejeiro hoje é multifacetado e os produtores estão cada vez mais ousados. Estilos são só uma referência; logo, atente para as características desejáveis e controle o ambiente de estoque. Você pode ter uma agradável surpresa ao comemorar com sua cerveja de guarda!












