segunda-feira, 27 de abril de 2020

Degustação: Lager



No final de semana, fizemos uma comparação entre estilos lager bem semelhantes entre si: Czech Pilsner, Munich Helles e German Pils. Colocamos, ainda, uma lager industrial para efeito de comparação. Era um tipo de prova que queríamos fazer há muito tempo!



1 - Pilsner Urquell: pilsner checa original. Amargor evidente (bem superior às outras). Muito aroma de lúpulo de caráter floral e condimentado. Malte apenas em segundo plano. Algum diacetil e sulfuroso (o que é normal). Seca, corpo leve. Espuma de grande qualidade.



2 - Paulaner Munich Helles: perfil mais maltado. Aromas de panificação, que variavam de um miolo de pão a casca de pão tostado. Dulçor mais evidente que nas outras. Mais encorpada também.



3 - Memminger German Pils: equilíbrio entre malte e lúpulo. Aromas de biscoito, ervas amadeiradas e flores do campo (típico dos lúpulos alemães). Levemente amarga, corpo médio-baixo. Bem refinada e equilibrada. Não parecia ser filtrada, pois não era translúcida como as demais, além de conter certo teor de malte tostado (cor âmbar, aroma).



4 - Beck's German Lager: nova lager de massa que está chegando no mercado brasileiro via Ambev. Qualidade bem inferior às outras. Muito diacetil (aquele cereal rançoso). Espuma inexistente. Doce e enjoativa. Também notamos um certo metálico. Curioso como varia de um lote para o outro, mas não surpreende por ter a mesma qualidade sofrível das demais lagers industriais.



Enfim, uma excelente degustação (horizontal) para perceber os diversos nuances das lagers claras vindas da Europa Central. Tínhamos feito tal degustação no curso, mas a sutileza das diferenças entre elas nos forçou a provar de novo! Ademais, somos fãs dos estilos clássicos! A pureza e a perfeição de processo dessas cervejas nos impressiona (a exceção dessa última 😅). Cheers 🍻

quinta-feira, 23 de abril de 2020

Ancient Herbed-Spiced Beer




Kaimishkas, da antiga Cervejaria Brücke. Provavelmente, uma das brejas mais impressionantes que já tomei em território nacional. Uma pena que a Brücke tenha acabado, pois tinha ótimas cervejas 😢

Kaimishkas é uma Ancient Herbed Beer. Um estilo histórico caracterizado pela ausência de lúpulos 😬

Um pouco de história: antes da Idade Moderna, a maioria das cervejas não continha lúpulo. Para mitigar o dulçor do mosto, utilizava-se um combinado de ervas e especiarias, o chamado Gruit 🌿

Atualmente, como a criatividade do mercado cervejeiro não tem limites, muitos profissionais decidiram fazer pesquisas históricas para resgatar essas receitas antigas. O caso mais emblemático é o da Dog Fish Head que trabalhou com arqueólogos para reproduzir um fermentado grego da Antiguidade. Foi vendido sob o nome de Midas' Touch e também levava um conjunto de ervas ao invés de lúpulo 🍃

No Brasil, confesso que nunca tomei outra cerveja do tipo. E posso afirmar que dificilmente haverá uma concorrente à altura, pois a Kaimishkas é espetacular. Uma Gruit Lager cuja base contém cevada, centeio e aveia. O gruit leva ervas regionais do Brasil. Se não me engano, o primeiro lote ainda foi feito com fermentação mista 🍺

O resultado foi uma breja absolutamente complexa. No aroma, aquele toque de fazenda carregado de ervas (não consegui identificar quais eram). No paladar, um dulçor caramelado inicial que logo abre espaço para picância e um certo amargor. Final extremamente seco. Um primor de cerveja 🍻

Lei de Pureza Alemã




Hoje é o dia da Lei de Pureza Alemã. Em 23 de abril de 1516, o imperador alemão publicou o decreto que inaugurou a moderna fabricação de cerveja. Segundo ele, só seriam consideradas como cerveja aquelas bebidas fermentadas que contivessem água, malte e lúpulo 📜

O mercado evoluiu muito de lá para cá e hoje as cervejas apresentam nuances impensados para a época. A escola alemã também ficou caracterizada por essa rigidez, diferentemente de outras escolas. Mas é inegável que o decreto estipulou as bases para se alcançar um padrão de consumo e fabricação 🍺

Na foto, a Weihenstephaner Vitus, a weizenbock mais famosa do mundo. A Weihenstephaner é uma cervejaria bávara que produz cerveja desde pelo menos o Século X. Ou seja, há mil anos. Não sabemos se é pura jogada de marketing, mas a produção de cerveja na Alemanha realmente data de tempos imemoriais. A breja é clássica: potente, com muitos aromas esterificados, extremamente saborosa. Nada melhor para celebrar o dia! 🍻

terça-feira, 7 de abril de 2020

Festival Brasileiro da Cerveja 2020




Visitei, este ano, pela primeira vez, o famoso Festival Brasileiro da Cerveja, em Blumenau. Um baita evento cervejeiro, talvez o maior concurso de cervejas da América Latina. Contou com mais de 600 cervejarias participantes que forneceram cerca de 1200 rótulos.

Na parte aberta ao público, foram mais de 100 stands de diversas cervejarias, a maioria do sul do Brasil. Na feira, várias oportunidades de negócios para quem quer empreender na área (ou já empreende). Palestras também ocorrem e são importante fonte de informação.

Quanto à cidade de Blumenau, esta respira cerveja. São muitas opções de bares. O imponente Bier Villa, que fica anexo ao festival, oferece mais de 50 torneiras de chope. Visitei, também, o Pub Balbúrdia, o qual ganhou medalha como melhor brewpub. Aonde quer que se vá, só se encontra cerveja da boa! Um belo passeio para os apreciadores do líquido sagrado!

Orval

A Orval, uma das cervejas mais peculiares do mundo



Em tempos de isolamento social, inspiremo-nos no exemplo dos monges trapistas, famosos no meio cervejeiro pelas excelentes cervejas, como a Orval. 🍺

A Ordem Trapista (ou Cisterciense) é uma congregação católica beneditina que segue o preceito ora et labora: obediência, silêncio, pobreza e humildade. A vida dos monges é austera, de modo que quem ingressa na ordem deve se submeter a um rigoroso regime de trabalho, estudo e oração. O isolamento das comunidades trapistas também é notório. Em busca da unidade com Deus por meio da contemplação, todos os seus mosteiros situam-se no ambiente rural. ⛪

Não por acaso, os monges são famosos pela produção artesanal, principalmente de alimentos. Para prover sua subsistência, muitos deles produzem queijos, pães, doces e, é claro, cerveja. A tradição remonta à Idade Média, e os monges belgas foram os mais bem sucedidos na tarefa. As cervejas trapistas, por sua vez, constituem um seleto grupo que é produzido exclusivamente por mosteiros da ordem. Estão entre as melhores do mundo, dentre elas a Orval. 🍺

Um primor de cerveja, a Orval é fabricada pela Abbaye Notre-Dame d'Orval na região de Gaume, Bélgica. O monastério fabrica cerveja desde o século XVII, mas a receita atual data de 1932. Envolve um processo de produção intricado, com duas fermentações por levedura ale e brettanomyces. A cerveja é condicionada em garrafa, de modo que continua evoluindo com o tempo. Se não bastasse, sofre dry-hopping com flores de lúpulo. O resultado é uma bebida muito complexa e harmônica. Suaves notas rústicas de brettanomyces (que aumentam com o tempo), um dulçor maltado que lembra mel, a refrescância cítrica do lúpulo... Tudo muito bem assimilado, sem que um sabor se sobreponha ao outro. A cerveja ainda tem um final bastante seco e volumoso colarinho. De fato, a inspiração divina se fez presente e é prova que o mais profundo isolamento também pode ser reconfortante e profícuo. 🌄

Em outros posts, falaremos mais sobre cervejas trapistas! Aguarde.