É mito ou não?
Há, no imaginário popular brasileiro, a ideia de que cervejas escuras seriam invariavelmente mais fortes que suas congêneres claras.
Conhecendo a história da cerveja no Brasil, entende-se o porquê do fenômeno. Por aqui, país cujas condições nunca foram favoráveis à produção de cerveja, proliferaram produtos de baixa qualidade, insípidos, sem sabor e corpo. Diante do cenário, a grande indústria tentou trazer "inovações" ao longo das décadas. Muitas delas vieram na forma de cervejas de aparência escura e teor alcoólico maior. As outrora famosas "bocks" (que nada têm da verdadeira bock) ou "malzbiers".
Todavia, tais cervejas eram apenas uma modificação superficial dos produtos massificados, repletas de adjuntos químicos. De gosto, são doces e carregam elevado nível de álcoois superiores (tornando-se beeem enjoativas). Por isso, os brasileiros passaram a ver as escuras como potentes.
Não é essa, contudo, a característica essencial das cervejas escuras.
Uma cerveja, para ser escura, precisa ter em sua composição um certo percentual de malte tostado ou torrado. O produto final acaba tornando-se opaco, em matiz que varia do cobre ao negrume indistinto.
Por outro lado, o conceito de potência da cerveja é muito variável e em nada se relaciona à cor final da sua breja (ou ao grau de malte torrado utilizado na fabricação). Em geral, considera-se forte uma cerveja com elevados percentuais alcoólicos, muito corpo, dulçor alto e baixo drinkability (falaremos mais sobre isso em outro post).
Assim, feita essa distinção, tem-se estilos de cerveja escura que são bastante leves, muitos deles desconhecidos pelos brasileiros. Por exemplo, a dry stout irlandesa é escura como a noite, mas levíssima. Tem menos álcool e corpo que a Brahma que você toma aos domingos (e é muito mais saborosa). Os alemães também produziram vários estilos de cerveja escura bem brandos, como as schwarzbier e as Munich dunkel.
Portanto, desconstrua esse mito da sua cabeça! Se tiver oportunidade, compre uma autêntica cerveja escura, como a mencionada dry stout, e tome na praia, num calor de 40º, junto de lula frita, mexilhões, ostras, camarão, etc. Garanto que será revigorante!

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