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| Hocus Pocus Day Tripper, intrigante NE IPA que usa lúpulos experimentais |
Relembro hoje uma bela cerveja que tomei há um tempo atrás, a Hocus Pocus Day Tripper, para falarmos um pouco sobre inovações do mercado cervejeiro.
A breja em si é uma New England IPA que utiliza o lúpulo experimental HBC 472. Muito intrigante, a variedade traz aromas de coco à cerveja
Ela me fez refletir sobre como a pesquisa que trata dos insumos da cerveja tem evoluído freneticamente nos últimos tempos. Os lúpulos já tradicionais sofrem cruzamentos e geram variedades novas. Diferenças de cultivo originam características totalmente diferentes das usuais. E as experimentações não se limitam ao lúpulo: outro campo de fantástico avanço é o das leveduras, área na qual o Brasil tem grande potencial de exploração, haja vista que várias cepas sequer são utilizadas comercialmente. A ZalaZ é um grande exemplo do que estamos falando, com seu "terroir" já famoso.
Infelizmente, temos que admitir duas coisas: 1) grande parte da inovação vem de fora; e 2) o mercado brasileiro ainda é muito pouco desenvolvido. As causas são inúmeras, a começar pelo ambiente de negócios ruim. Não há incentivos ao crescimento do setor artesanal independente, tendo em vista a dificuldade de se manter um business no Brasil e os altos tributos incidentes sobre os produtos. Os empreendedores que buscam se aventurar na área têm, ao menos, um grande incentivo: 95% do consumo ainda é de cerveja industrializada. Ou seja, o prognóstico de crescimento ainda é bom. Outros fatores que podem ser citados são a aquisição de microcervejarias pelos grandes players (considero algo positivo para a inovação e expansão do mercado) e o baixo potencial de crescimento da economia (o que estimula o consumo para baixo).
De toda forma, a inovação é contínua e os cervejeiros não param de nos surpreender. Os maiores beneficiados pela evolução do mercado somos nós, consumidores! 🍻




